A Escola de Frankfurt e a Questão da Cultura

Renato Ortiz

Resumo


O que marca a perspectiva frankfurtina da análise da cultura é sem dúvida o seu pessimismo histórico. Dificilmente dentro deste quadro poderíamos desenvolver um tema como cultura e política. Conceitos como Estado, intelectuais, partidos políticos encontram-se ausentes na teoria desenvolvida. Tem-se às vezes a impressão que a imagem do "final da história" seria uma ironia em relação a útopia marxista do século XIX. Uma sociedade de massas, "sem classes", onde a luta de classes já não se manifesta mais, urna sociedade "sem Estado", uma vez que a hegemonia da técnica penetraria as consciências individuais. Portanto uma sociedade sem contradições, "sem alienação", segundo o marxismo clássico, o que significaria o congelamento da história como força motora das transformações sociais. No terreno do debate cultural a arte é privilegiada como espaço que transcende a irracionalidade do real, e configura o único espaço de uma possível transformação social. Como a Escola recusa a aceitar qualquer tentativa de politização da arte tem-se que este espaço possui uma natureza meramente potencial. Com isto os frankfurtianos podem escapar às armadilhas que o marxismo ortodoxo coloca com a instrumentalização da arte, por exemplo, o realismo soviético ou a arte revolucionária. Mas por outro lado esta concepção não deixa de trazer problemas, uma vez que a arte é o parâmetro em relação ao qual a cultura deve ser mensurada. Se a arte representa o locus potencial da transformação só resta aos outros elementos de cultura o estatuto de mercadoria que reforça a dominação do sistema social.


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