WILLIAM MORRIS E A CRÍTICA MARXISTA AO PARLAMENTARISMO
ESTRATÉGIA REVOLUCIONÁRIA, AUTO-EMANCIPAÇÃO E LIMITES DO REFORMISMO
Palavras-chave:
William Morris; Antiparlamentarismo; Socialismo; Marxismo; Marxismo heterodoxo.Resumo
O presente artigo analisa a crítica de William Morris ao parlamentarismo a partir de quatro textos publicados entre 1885 e 1890: Socialism and Politics, The Policy of Abstention, The Policy of the Socialist League e Anti-Parliamentary. Partindo da reconstrução dos argumentos desenvolvidos pelo autor no contexto das disputas estratégicas do socialismo britânico da década de 1880, procura-se demonstrar que sua rejeição da ação parlamentar não decorre de uma oposição abstrata às instituições representativas, mas de uma concepção segundo a qual a emancipação da classe trabalhadora somente pode resultar de sua própria organização política e da transformação das relações sociais de produção. Argumenta-se que, para Morris, o parlamentarismo constitui um mecanismo de reprodução da sociedade capitalista ao deslocar a atividade socialista da propaganda revolucionária e da organização independente dos trabalhadores para a administração reformista dos conflitos sociais. Conclui-se que sua crítica ultrapassa uma controvérsia circunstancial do socialismo britânico oitocentista e constitui uma reflexão relevante acerca das relações entre representação política, reforma social e auto-emancipação da classe trabalhadora.
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